O Sebrae-SP apoiou a realização da 23ª edição do Concurso de Qualidade do Café da IG do Vale da Grama, iniciativa que reconhece o trabalho dos cafeicultores, evidencia a excelência dos cafés produzidos no território e contribui para consolidar a identidade da Indicação Geográfica (IG) do Vale da Grama. Mais do que distinguir os melhores lotes da safra, o concurso se estabelece como uma importante vitrine para a qualidade, a diferenciação e o potencial de mercado da cafeicultura regional.

Realizada no dia 26 de setembro, a edição 2026 adquiriu contornos ainda mais expressivos diante das adversidades enfrentadas pelos produtores. O excesso de chuvas durante a safra, especialmente no período de colheita e secagem, trouxe apreensão ao campo e levantou dúvidas sobre a capacidade de preservar os atributos dos grãos. Para muitos cafeicultores, o cenário climático poderia comprometer justamente uma das características que distinguem a produção do território: a qualidade da bebida.
Nesse contexto, a obtenção de resultados expressivos no concurso ganha significado especial. Diante das condições adversas, os produtores intensificaram os cuidados no pós-colheita, aperfeiçoaram procedimentos de secagem e redobraram a atenção em cada etapa do processo para proteger o potencial dos cafés. O desempenho alcançado demonstra que conhecimento, experiência e precisão no manejo foram determinantes para superar os obstáculos e preservar a excelência da produção.
Mesmo em uma safra marcada por desafios climáticos, os cafés avaliados apresentaram diferentes perfis sensoriais e alcançaram pontuações superiores a 83 pontos, evidenciando a consistência e a diversidade da produção do Vale da Grama.
Realizado pela Associação dos Cafeicultores do Vale da Grama, o concurso contou com o apoio do Sebrae-SP, Faesp/Senar, Sindicato Rural de São Sebastião da Grama e Prefeitura Municipal, reunindo diferentes atores em torno de uma agenda comum: fortalecer a cafeicultura, ampliar o reconhecimento da produção e criar condições para que a qualidade se converta em maior valorização e oportunidades comerciais para os produtores.
Nesta edição, foram recebidas amostras nas categorias Natural, Cereja Descascado e Fermentado. Para avançar à etapa classificatória, os cafés precisaram atingir nota mínima de 83 pontos. Ao final da seleção, 48 amostras permaneceram na disputa, com sete cafés premiados em cada categoria.
Os sete primeiros colocados de cada modalidade também conquistaram classificação automática para o 6º Concurso de Cafés Terroir da Região Vulcânica, que será realizado em 31 de outubro, em Poços de Caldas (MG). A participação amplia a exposição dos cafés do Vale da Grama e cria uma oportunidade de inserção dos produtores em um circuito que valoriza origem, identidade territorial e qualidade.
Rigor técnico em cada etapa
A programação do concurso foi acompanhada por uma série de atividades destinadas à difusão de boas práticas e ao aprimoramento da produção de cafés especiais. Paralelamente às ações voltadas aos produtores, foram conduzidas as etapas técnicas de avaliação dos lotes, assegurando critérios de imparcialidade e confiabilidade ao processo.
A codificação das amostras ficou a cargo do campus São João da Boa Vista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), procedimento que garantiu o anonimato dos cafés durante a avaliação.
A torra foi realizada pelo mestre de torra e Q Grader Fernando Santana. Na sexta-feira, as provas sensoriais foram conduzidas por uma banca formada por Fernando Santana, K.J., Thais Staut e Mariana Nakagawa.
Um dos aspectos de maior relevância da iniciativa está no retorno técnico oferecido aos participantes. Todos os cafeicultores recebem um laudo individual contendo a pontuação alcançada e as características sensoriais identificadas durante a análise. O documento funciona como uma ferramenta para orientar decisões, aprimorar processos produtivos e ampliar o conhecimento do produtor sobre as características e o potencial comercial de seu próprio café.
Para Junio Correia, gestor de desenvolvimento territorial do Sebrae-SP, o concurso tem um papel que vai além da premiação. “O concurso permite ao cafeicultor descobrir a qualidade do seu café. Todos recebem um laudo técnico, com as notas sensoriais, pontuação e outras informações importantes sobre a bebida. Isso possibilita que o produtor conheça melhor o seu produto e tenha mais informações para trabalhar a qualidade e buscar novos mercados”, destaca.
Segundo Junio, o mercado também tem demonstrado interesse crescente pelos cafés produzidos no território. “O mercado tem olhado positivamente para os cafés do Vale da Grama. A região tem recebido representantes de outros países interessados em avaliar e negociar os cafés produzidos aqui, e negócios relacionados a produtos de maior valor agregado já estão acontecendo. Isso demonstra que existe um mercado interessado na qualidade e na identidade dos cafés do território”, completa.
Uma história de qualidade que vem de antes da IG
A trajetória de valorização do café do Vale da Grama não começou com o reconhecimento da Indicação Geográfica. O diferencial construído ao longo dos anos está associado ao conhecimento acumulado pelas famílias produtoras, às características do território e a uma cultura de cuidado que atravessa gerações.
Danilo Serafim Alves, gerente regional do Sebrae-SP, explica que a história de qualidade do café do Vale da Grama é anterior ao reconhecimento da Indicação de Procedência. “O Vale da Grama é uma Indicação de Procedência que se originou com o apoio do Sebrae, mas a história da qualidade do café do território antecede esse reconhecimento. Muitos produtores já se dedicavam à qualidade, havia um saber fazer construído pela própria comunidade. O Sebrae observou esse potencial e auxiliou no reconhecimento de algo que já existia”, aponta.
Danilo destaca ainda que a estruturação e a organização das ações contribuíram para transformar esse potencial em uma estratégia de desenvolvimento para o território. “Estruturar um plano de ação organizado e estruturado faz parte do nosso know-how e tem ajudado muito os produtores. Fortalecer o produtor faz parte da nossa missão. O concurso foi um sucesso porque é uma celebração da qualidade, da colheita e da possibilidade de gerar mais negócios”, conclui.
Café especial também conquista o público
A programação ultrapassou os limites da avaliação técnica e aproximou a cafeicultura da comunidade. Na Praça da Igreja Matriz, moradores e visitantes tiveram a oportunidade de degustar cafés especiais produzidos no Vale da Grama e participar diretamente da escolha dos destaques da safra por meio do Voto Popular.
A experiência permitiu ao público conhecer diferentes características sensoriais e perceber, na xícara, a diversidade de aromas, sabores e atributos presentes nos cafés produzidos no território.
Os vencedores do Voto Popular foram:
• Categoria Natural: Arnaldo Alves Vieira – Fazenda Baobá;
• Categoria Cereja Descascado: André Stein Carvalho Dias – Sítio Córrego da Anta;
• Categoria Fermentado: Valdir Duarte – Sítio Santa Rosa.
Expovale amplia conexão entre campo, negócios e comunidade
A programação também incorporou a Expovale, que reuniu produtos do território e promoveu uma exposição de máquinas, equipamentos e tratores. A iniciativa ampliou o espaço de interação entre cafeicultores, empresas, fornecedores, consumidores e comunidade.
A integração das atividades conferiu ao concurso uma dimensão que vai além da competição. Ao reunir conhecimento técnico, tecnologia, produção, degustação, exposição e negócios em um mesmo ambiente, a programação reforçou a importância de aproximar quem produz de quem consome e de criar novas possibilidades para a cafeicultura regional.
Conheça os cafés campeões
Na categoria Natural, o café vencedor alcançou 86,56 pontos e apresentou perfil sensorial marcado por notas de chocolate, frutas amarelas, calda caramelizada, calda de açúcar, carambola, caramelo, floral, geleia de laranja, maçã do amor e mel. O campeão foi Homero Teixeira de Macedo Junior, da Fazenda Recreio.
Na categoria Cereja Descascado, o primeiro colocado atingiu 86,50 pontos, com notas sensoriais de bala de hortelã, calda de pudim, cana-de-açúcar, caramelo e castanhas tostadas. O vencedor foi Arnaldo Alves Vieira, da Fazenda Baobá.
Já na categoria Fermentado, o café campeão alcançou 86,06 pontos, apresentando perfil sensorial com frutas amarelas, caramelizado, chocolate e doçura, além de notas de maracujá, mel e melaço. O contemplado foi Valdir Duarte, do Sítio Santa Rosa.
Os resultados traduzem a amplitude dos perfis sensoriais encontrados no território e evidenciam a capacidade dos cafeicultores de trabalhar diferentes características da bebida, agregando valor e identidade à produção.
Ao encerrar mais um ciclo da cafeicultura regional, a 23ª edição do Concurso de Qualidade do Café da IG do Vale da Grama deixa como legado não apenas a celebração dos cafés premiados, mas também o reconhecimento de todo o percurso percorrido pelos produtores em uma safra marcada por desafios climáticos e pela necessidade de cuidados redobrados no pós-colheita.
O desempenho dos cafés confirma a capacidade dos cafeicultores de transformar conhecimento, experiência e dedicação em produtos de excelência, fortalecendo a identidade territorial do Vale da Grama e ampliando sua projeção diante de consumidores, compradores e novos mercados.
A realização foi da Associação dos Cafeicultores do Vale da Grama, com apoio do Sebrae-SP, Faesp/Senar, Sindicato Rural de São Sebastião da Grama e Prefeitura Municipal.
