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Entrega de moto, de carro, envio pelos Correios e até nas estações de metrô. Mas, se a cliente quiser, pode retirar as compras na casa da Paloma Andrade ou ela mesma pode levar as diversas peças para prova, sem compromisso. Sem um ponto físico, é assim que a empreendedora administra a Pink Store, loja de roupas femininas aberta em plena pandemia, em São Paulo.

Negócios como o de Paloma registraram crescimento e também passaram por uma evolução nos últimos tempos. Dados elaborados pelo Sebrae-SP a partir do Portal do Empreendedor apontam um crescimento de 33,3% entre o começo de 2020 até o fim de 2021, quando o número de Microempreendedores Individuais (MEIs) na atividade de comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios passou de 711.263 para 948.167 no Brasil.

A gestora de comércio varejista do Sebrae-SP, Daniela Abdala, explica que a revenda de roupas em locais físicos ficou paralisada durante o período mais crítico da pandemia por conta do fechamento do comércio, e uma forma mais rápida e funcional para dar continuidade ao negócio foram as “sacolas” para os clientes.

“Essa atividade já era comum. Muitos MEIs de revenda de roupas foram abertos sem local fixo, com a atividade de sacoleira, e até as lojas tinham esse costume com os clientes VIP, mas na pandemia passou a ser um meio eficaz de fazer com que o produto chegasse aos consumidores. Muitos segmentos que tiveram suas portas fechadas e não conseguiram voltar a operar optaram por mudar de atividade comercial e viram nas sacolas de roupas uma opção de sobreviver em meio a pandemia”, afirma Daniela.

Na avaliação da especialista, a atividade passou por uma evolução considerável. Isso porque, antes da pandemia, as sacolas eram montadas somente com a percepção do vendedor com relação às preferências do cliente. Com a propagação da Covid e a necessária digitalização dos meios de relacionamento com os consumidores, as sacoleiras passaram a utilizar o WhatsApp, Telegram, Instagram e o Facebook como vitrines – esses canais digitais permitem que os clientes escolham peças para a sua sacola.

Outra evolução apontada por Daniela inclui as sacolas virtuais: as sacoleiras montam kits com produtos de modelos, cores e tamanhos do cliente, chamados de sacolas personalizadas. “Até o nome dessa prática evoluiu, muitos a chamam de fashion delivery ou delivery bag”, ressalta.

No caso de Paloma, da Pink Store, se a cliente gostou da peça na foto, mas ficou indecisa, a empreendedora se prontifica a levar os modelos para a prova. “Venda online é assim: tem pessoas que ficam na dúvida se vão gostar. Vamos pensando em diversas opções para atender as clientes”, afirma ela, que passou a empreender após ser desligada do trabalho em um hospital, em novembro de 2020.

“Eu tinha acabado de financiar meu apartamento e digo que foi o ‘empurrãozinho’ que faltava para abrir meu próprio negócio. Escolhi esse ramo pois, além de amar comprar roupas, amo ver as mulheres de bem com sua autoestima; sinto que vai além de vender roupas, consigo enviar muito amor com cada pacotinho: coloco um cheirinho especial, mimos e percebo que as clientes conseguem receber todo esse amor por meio de cada compra”, conta.

Paloma vai uma vez por semana à região do Brás, na capital paulista, para as compras e faz as divulgações no Instagram e Facebook, além de contar com a indicação de cientes e realizar a distribuição de flyers. “São muitos desafios. Não é fácil conciliar tudo, trabalhar, cuidar dos filhos, da casa. Além disso, existe muita oscilação; eu posso ter vendido muito, mas no mês que vem pode ser que eu não venda quase nada. São desafios que temos de somar para experiência, ver o que podemos melhorar, mudar e não deixar entrar no nosso coração e nos fazer desistir”, diz Paloma, que tem planos de crescimento para o negócio e futuramente até abrir uma loja física.

DIVERSIFICAÇÃO

Renata Pardo enxergou uma oportunidade de empreender ajudando vendedoras iniciantes. Ela sempre trabalhou na área de vendas, mas tinha a percepção que, para quem estava começando, seria muito mais difícil realizar pedidos com um “mínimo de compra” ou ter um “X tempo de CNPJ ativo”. “Se ninguém abrir as portas para as pessoas começarem a empreender, nem que seja com o único valor que ela tem em mãos, mais lenta será sua jornada, menos negócios serão gerados”, afirma.

Diante desse cenário, ela criou a Empreenda Catarina. A empresa reúne produtos de nichos diversificados e os envia em pacotes. “Aquele único dinheiro que geralmente a sacoleira, a revendedora ou até mesmo novos lojistas têm, nós usamos para mandar produtos de inúmeras lojas, dando a ela o direito de escolha e teste de produtos, sem fidelizar tudo num único atacadista, variando o estoque final”, explica.

“Temos clientes que começaram com dez blusinhas de R$ 10 e hoje, três anos depois, inauguraram lojas ainda comprando conosco, só que 100 vezes mais do que o valor do começo. O mais incrível é receber mensagens falando que faço parte disso”, relata.

Para quem tem interesse em começar na atividade, Renata afirma que “uma boa compra é a base de tudo, principalmente se você estiver com baixa disponibilidade financeira”. “Antes, a gente se baseava no feeling e, se errasse, era aquela situação de ‘estoque parado, dinheiro encalhado’. Hoje você só tem estoque parado se não estiver gerindo bem seu negócio, considerando uma infinidade de possibilidades no mundo virtual”, explica. A empreendedora cita, por exemplo, a possibilidade de testar o produto sem tê-lo em estoque, fazendo pesquisa com amigos, status de redes sociais e avaliação da audiência gerada na vitrine virtual.

Uma das criações do Empreenda Catarina é um grupo chamado “Troca de estoque”. O que não vende em uma região pode ser vendido outra. “Assim todos fazem o giro sem deixar dinheiro, literalmente, mofando em produtos, e podendo renovar sempre numa compra mais direcionada”, explica.

GESTÃO

Daniela Abdala, do Sebrae-SP, reforça que fazer a gestão do negócio é fundamental para saber a margem e porcentagem de lucro. “As sacoleiras têm dificuldade de precificar seus produtos; esse tipo de erro interfere no ganho, dando prejuízo ou chegando até a fechar o negócio”, diz. Daniela orienta a levantar todo o custo da operação (custo do produto, da viagem, da alimentação, da embalagem, da entrega e de todos os insumos, além de impostos e etc.), analisar os custos fixos e variáveis e assim entender qual porcentual de lucro consegue aferir no negócio.

Entre os pontos em comum das sacoleiras de sucesso, Daniela cita que elas conhecem muito bem seus clientes, estão antenadas com as tendências do setor da moda, conhecem e monitoram a concorrência, sabem o que comprar e onde comprar, investem em marketing, em relacionamento com os clientes e fazem gestão firme do negócio.

A revenda de roupas por meio de loja física, loja virtual, marketplaces, redes sociais ou por meio de sacolas sempre foi um bom negócio, mas, como qualquer empreendimento, tem suas dificuldades. Por isso, é preciso estudar o mercado e entender o comportamento do cliente para ter resultado”, finaliza.

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Pontos de atenção

– Saber o que comprar e onde comprar – buscar os melhores fornecedores.

– Ficar de olho no perfil de consumo do seu cliente e nas mudanças de comportamento.

– Ficar antenada com as tendências do setor moda.

– Fazer a gestão do negócio é fundamental para saber qual a margem e porcentagem de lucro.

– Ter um bom plano de divulgação.

– Identificar e dominar os canais de relacionamento e de vendas de preferência do seu cliente.

– Humanizar seu atendimento – fazer com que seu cliente se sinta especial.

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