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Empreendedorismo feminino avança na região de Sorocaba e evidencia novos desafios para mulheres que empreendem

Mulheres já são 45,8% dos MEIs da região, e histórias locais mostram que redes de apoio e ambientes coletivos são decisivos para o crescimento dos negócios
Por Redação
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O empreendedorismo feminino segue ganhando força na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), especialmente às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Dados consolidados a partir do Portal do Empreendedor mostram que as mulheres já representam 45,8% dos microempreendedores individuais (MEIs) da região, o equivalente a 101,7 mil negócios liderados por mulheres entre os 28 municípios analisados.

Ao todo, a RMS soma 222 mil MEIs formalizados, o que evidencia o peso do empreendedorismo como vetor de geração de renda, autonomia financeira e desenvolvimento local. A expressiva participação feminina reforça que as mulheres não apenas empreendem, mas ocupam um espaço estratégico na dinâmica econômica regional.

O levantamento também revela diferenças importantes entre os municípios. Alumínio se destaca como o único da região onde as mulheres são maioria entre os MEIs, representando 51,8% do total de empreendedores locais. Em seguida, aparecem Votorantim (47,6%) e Capela do Alto (47,3%), ambos com participação feminina acima da média regional. Já Sorocaba, maior cidade da região, concentra o maior número absoluto de mulheres empreendedoras, com quase 40 mil MEIs femininos, embora o percentual fique em 46,8%.

Para o Sebrae-SP, os números confirmam uma tendência de consolidação do empreendedorismo feminino, mas também evidenciam desafios persistentes. “Empreender já exige coragem e preparo. Para muitas mulheres, esse caminho vem acompanhado da sobrecarga de responsabilidades familiares, da necessidade constante de qualificação e, em alguns casos, do preconceito em setores tradicionalmente masculinos”, Karen Ajala, analista de negócios do Sebrae-SP.

Ainda assim, o impacto do empreendedorismo feminino vai além dos indicadores econômicos. As mulheres empreendedoras exercem papel fundamental na transformação social, tornando-se referências em suas comunidades, gerando empregos e inspirando outras mulheres a iniciarem seus próprios negócios. “Quando uma mulher empreende, ela movimenta a economia, fortalece redes locais e amplia oportunidades ao seu redor. Cada negócio liderado por uma mulher representa também um avanço coletivo”, reforça Karen.

Desafios menos visíveis

Além dos desafios mais conhecidos do empreendedorismo feminino, como acesso a crédito, qualificação e conciliação de múltiplas responsabilidades, muitas mulheres também enfrentam obstáculos menos visíveis, relacionados ao isolamento profissional e à falta de redes de troca, especialmente quando o negócio funciona dentro de casa.

É o caso de Priscila Massuda, proprietária do Studio Conceito, localizado na zona Sul de Sorocaba. Com mais de 20 anos de atuação no segmento de design de sobrancelhas e micropigmentação, ela passou a atender exclusivamente em casa durante a pandemia, mantendo um espaço estruturado e separado da rotina doméstica. Ainda assim, o modelo trouxe impactos que foram além da organização do trabalho.

“O maior desafio não foi conciliar com a família. Foi a falta de rotina e de convivência. Eu ficava muito restrita, só com as clientes e com a minha família. Sentia falta de sair de casa, de trocar com outras pessoas, de ter um ambiente mais profissional”, relata.

Segundo Priscila, mesmo com o negócio funcionando, o trabalho em casa acabou gerando uma sensação de isolamento. “No salão é diferente. Você se arruma, sai para trabalhar, conversa, troca experiências. Em casa, parecia tudo muito improvisado”, afirma.

A percepção de que precisava retomar essa convivência e fortalecer sua identidade profissional levou a empresária a buscar um novo formato de atuação, passando a trabalhar em um espaço coletivo em shopping, ao lado de outras empreendedoras. “Hoje eu me sinto mais empresária. Tem rotina, tem troca, tem equipe. Isso faz diferença”, resume.

Para o gerente regiona do Sebrae-SP, Alexandre Martins, relatos como esse evidenciam a importância das redes de apoio e dos ambientes de troca para o fortalecimento do empreendedorismo feminino. “Muitas mulheres começam sozinhas, em casa, o que é um caminho legítimo. Mas, ao longo do tempo, a falta de convivência e de troca pode se tornar um limitador. Por isso, estimular conexões, grupos e espaços de networking é fundamental para o crescimento dos negócios”, afirma.

Segundo Alexandre, iniciativas como o comitê Todos por Elas buscam justamente enfrentar esse isolamento e fortalecer redes de apoio ao empreendedorismo feminino. Criado em novembro de 2025, o comitê reúne diferentes grupos e instituições que já atuam com a pauta em Sorocaba, como a Secretaria da Mulher, ACSO Mulher, Rede Mulher Empreendedora (RME), Comitê Mulher do Sicredi, Sicoob, Mulheres do Brasil, Grupo Lindas e Face Facens.
“O objetivo é criar uma grande rede de conexão, integrando iniciativas que já existem, unificando agendas e ampliando o alcance das ações. Quando esses grupos se conectam, conseguimos chegar a mais mulheres, fortalecer o empreendedorismo feminino e potencializar o impacto dos eventos e projetos realizados na cidade”, explica.

Os dados da Região Metropolitana de Sorocaba mostram que, mesmo diante dos obstáculos, as mulheres seguem ampliando sua presença no empreendedorismo, reafirmando sua capacidade de inovar, liderar e construir trajetórias de sucesso.

Confira o número de MEIs por gênero e por cidade na tabela abaixo:

Fonte: Sebrae-SP, com base em dados do Portal do Empreendedor.
  • empreendedorismo feminino
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