
Depois do lançamento oficial realizado no início de junho, o Ecossistema Local de Inovação (ELI) deu mais um passo concreto em Sorocaba nesta sexta-feira (19/06), com a realização da primeira capacitação presencial do programa. A atividade reuniu representantes de diferentes instituições do território e marcou o início da fase prática da metodologia, voltada à integração dos atores e à construção conjunta de uma agenda de inovação para o município.
Criado pelo Sebrae SP, o ELI é um programa novo que começa agora em Sorocaba e vem sendo implementado em 12 municípios paulistas. A proposta é organizar e conectar iniciativas de inovação que já existem no território, reduzindo ações isoladas e fortalecendo a cooperação entre empresas, startups, universidades, poder público e entidades de apoio.
A abertura da capacitação foi conduzida pelo consultor de negócios do Sebrae-SP, Henrique Romão, e contou com a participação das analistas de negócios Alessandra Vama e Thais Consiglio, gestoras de inovação do Escritório Regional de Sorocaba, que acompanham a implementação do programa no município ao longo da jornada. Também esteve presente o gerente regional do Sebrae-SP em Sorocaba, Alexandre Martins, que destacou que o ELI não cria algo novo do zero, mas organiza e potencializa o que já existe no território.

“Sorocaba já tem um ecossistema ativo. O ELI vem para dar método, direção e alinhamento, transformando boas conexões em ações concretas e resultados para o desenvolvimento local”, destacou.
A condução da primeira capacitação ficou a cargo do facilitador Antonio (Toni) Grangeiro, contratado pelo Sebrae-SP para aplicar a metodologia do programa. Logo no início, ele reforçou que o ELI não se trata de um curso, mas de um processo baseado em vivência, diálogo e corresponsabilidade entre os participantes.
“Esse não é um espaço para ouvir passivamente. É um processo para construir juntos, a partir das pessoas, das relações e da realidade do território”, explicou.
Ao longo da tarde, os participantes passaram por dinâmicas de interação voltadas ao fortalecimento de vínculos, à escuta ativa e ao reconhecimento das diferentes visões e papéis dentro do ecossistema. As atividades abriram espaço para reflexões sobre tempo, colaboração, alinhamento institucional e os desafios de transformar articulação em ação contínua.
O presidente do Parque Tecnológico de Sorocaba, Nelson Tadeu Cancellara, reforçou a importância do engajamento das instituições e das pessoas para o sucesso da iniciativa.
“O Sebrae traz a metodologia, mas o ecossistema só se fortalece quando as entidades e as pessoas topam o desafio de construir juntas algo que beneficie a cidade e a região”, afirmou.
A capacitação também contou com a participação remota de Luiz Fernando Telles, Agente Local de Inovação do Sebrae Rio Grande do Sul, que compartilhou a experiência do ecossistema de inovação de Passo Fundo e da Comunidade Vértice. A troca trouxe exemplos práticos sobre a organização e o acompanhamento da maturidade de ecossistemas, a partir do mapeamento de atores, programas e ações desenvolvidas no território.
Durante a apresentação, Luiz Fernando destacou a importância de sistematizar informações para dar visibilidade ao que já acontece no ecossistema. Como exemplo, apresentou dados consolidados de um relatório anual que registrou mais de 700 eventos ligados à inovação realizados em um único ano, com impacto superior a 50 mil pessoas e mais de 3.700 horas de conteúdo. Segundo ele, esse tipo de levantamento permite que o território reconheça sua própria dimensão e evolução.

A apresentação também trouxe reflexões sobre o papel do poder público no desenvolvimento do ecossistema, com destaque para a criação de uma secretaria específica de inovação, o avanço em legislações e a implementação de ações estruturantes. O acesso a capital foi apontado como um desafio recorrente, que demandou a criação de mecanismos locais de crédito e apoio a startups vinculadas às incubadoras.
Na etapa de perguntas, os participantes dialogaram sobre a convivência entre diferentes metodologias de inovação, como ecossistemas, pactos pela inovação e parques tecnológicos. A troca reforçou que essas abordagens podem coexistir e se complementar, desde que haja comunicação, alinhamento e clareza de papéis entre os atores. Também foi discutida a formalização dos ecossistemas, com o entendimento de que a colaboração pode acontecer mesmo sem a criação de uma entidade única, desde que as instituições atuem de forma integrada.
Participaram desta primeira capacitação representantes de entidades como Obrastok, Tropeiro Valley, Secretaria da Mulher, Parque Tecnológico de Sorocaba, Universidade de Sorocaba, Unifacens, Senai Sorocaba, ABIPI, Unesp – ICTS, Brandeiras Empresarial, MOFO Workspaces, Movimento Digital Brasil para Todos, Prestime Consultoria e Treinamento Empresarial LTDA, Centro Paula Souza, PTS Incubadora Hubiz e ICT Unisotech.
Com a realização da primeira capacitação, o ELI entra oficialmente em sua fase de construção coletiva em Sorocaba. Ao longo dos próximos meses, o grupo seguirá em encontros presenciais para aprofundar o diagnóstico do território, priorizar ações e estruturar uma governança local, com foco em fortalecer o ambiente de inovação e impulsionar o desenvolvimento econômico regional.
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