A Faculdade Sebrae, em São Paulo, foi um dos palcos do Startup Day, maior evento colaborativo do ecossistema de startups realizado neste sábado, 21 de março, em mais de 380 cidades de todo Brasil. O objetivo foi compartilhar conhecimento e incentivar conexões e oportunidades de negócios a empreendedores da área e investidores. Discussões sobre bootstrapping e o que vem depois do pitch, modelos, tração, monetização e escalabilidade fizeram parte da programação.

Vera Ruthofer, consultora de negócios do Sebrae-SP, destacou a importância de apresentar cases de sucesso para o público. “Existe uma dúvida: o que acontece depois do MVP (produto mínimo viável)? As startups têm uma grande dificuldade sobre como monetizar, o que acontece depois de passar pelos programas? A ideia de apresentar cases é que as pessoas consigam se espelhar e se enxergar em um futuro próximo”, explicou.
A palestra de abertura foi com Murilo Silva, que atua há mais de 30 anos no mercado de tecnologia. Atualmente é sócio-fundador e diretor de Soluções da Fuse IoT. O tema da palestra foi “Bootstrapping e o que vem depois do Pitch?”.
A expressão bootstrapping reúne duas palavras: “boot” (em português, bota) e “strap” (alça da bota). Ou seja, Bootstrapping significa “puxar suas botas”. Em outras palavras, o bootstrapping é o próprio empreendedor ou seu conjunto de sócios investirem em sua startup. É a modalidade de investimento que gera a capacidade de criação do negócio, sem alavancagem externa – seja por meio de um investidor ou por um empréstimo.

Murilo contou que começou a empreender há dez anos e está na terceira startup. “Eu fali a primeira, a segunda vendi e a terceira eu venci. Não é na primeira tentativa que a gente consegue ter êxito”, reforçou.
O especialista alertou sobre a importância da startup ficar atenta a alguns pontos, como: contratos, acordo de sócios, processos bem definidos, governança financeira e jurídica e mapeamento comercial.
E em relação ao bootstapping, Murilo ressaltou: “mão é falta de opção”. Segundo ele, envolve estratégia, obriga eficiência, cria disciplina financeira e gera controle. Murilo apontou ainda quatro ensinamentos do bootstrapping: vender resolve tudo; caixa é oxigênio; cliente paga, investidor promete; e simplicidade escala.
Cases de sucesso
As startups EntregAli e Nezti Tecnologia compartilharam suas experiências. Ambas fizeram boostrapping e reforçaram a importância de ficar de olho nos custos. A EntregAli é uma startup de fornecimento de armários inteligentes para condomínios e empresas. A co-fundadora Raquel Schramm participou de uma série de ações do Sebrae. “Controlem todos os gastos desde dia 1. E prezem um bom relacionamento com o cliente”, disse.
A Nezti se define como uma plataforma de mudança residencial sem stress. “Para começar a escalar eu precisava estar muito por dentro do DRE. Faturava R$ 3 milhões e não olhava DRE. Comecei a olhar todas as linhas, vi contratos que não davam lucros e tive esse momento de virada”, relatou Valteir Junior, fundador da Nezti. A startup fechou no negativo nos primeiros dois anos e só fechou no positivo, no terceiro ano, após priorizar o entendimento dos custos.
Participação
A empreendedora Mylena Leite participou da ação como mentora. Ela é publicitária, tem uma startup e um estúdio de comunicação, e já participou de uma série de eventos do Sebrae. “O Startup Day é uma iniciativa muito incrível e importante para fortalecer networking e conexões. São momentos de aprendizado e fazem total diferença na jornada de uma empresa”, destacou.
A auxiliar administrativa Sheila Mariano ficou sabendo do evento por indicação de um aluno e se programou para participar na manhã de sábado. “Achei o tema da palestra interessante. Quero agregar mais conhecimento e me aprofundar mais sobre o assunto”.
Viviane Mosack atua com marcenaria criativa e foi em busca de conhecimento e informação para uma ideia que busca colocar em prática. “Tenho uma ideia relacionada a adoção de animais. Assisti a palestra e passei por uma mentoria que auxiliou bastante”, contou.
Paineis
O Startup Day contou com dois painéis. O primeiro teve como tema “Como Startups Vendem: Modelos, Tração e Monetização” e a participação de Thais Melendez, do Google Campus São Paulo; Vinícius Godoy Guilherme, da Adesampa; João Mello, da RD Station; e Carolina Trancucci, da Iuvo CX.
O segundo painel destacou o tema “Toda Startup precisa escalar?” com Diego Simon, founder da Viva Real Imóveis; Maria Carolina Clemente, do IPT; Gisele Tacchi, da Sales 3S; Walkiria Cavalcante, do Pateo76; Guilherme Gondim, da Grand Designs.
Capital
A cidade de São Paulo abrigou mais três eventos do Startup Day, além da Faculdade Sebrae. Na zona oeste, o Startup Day dentro da USP teve como foco a inovação e o universo de games. No Jardim Paulista, o foco foi inteligência artificial e o ecossistema de startups paulistano, com a apresentação da “Avaliação do ecossistema de startups de São Paulo” na Link School Of Business. Já na zona leste, o Startup Day mirou suas atenções às periferias e o empreendedorismo “na quebrada”.
