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Um negócio que vai além do lucro: empreendedora cria rede de apoio para mães e famílias

Para Juliana, de São José dos Campos, empreender foi um caminho natural para gerar impacto e transformação
Por Redação
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Juliana Menezes, proprietária do Clube Aquarela Kids

Segundo estudo conduzido pelo Sebrae, com base em dados mais recentes disponíveis na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ‘Donos de Negócios: empregadores e trabalhadores por conta própria’, atualmente são mais de 10 milhões de empreendedoras (com recorde de 10,3 milhões em 2022) no Brasil, sendo 44,4% na região Sudeste.

Juliana Menezes da Cunha Rodrigues, 38 anos, proprietária do Clube Aquarela Kids (espaços kids e indoor park) e da Fio Nativo (meia calça feminina e brasileira), de São José dos Campos (SP), faz parte dessa estatística e é como a maioria das mulheres, que concilia trabalho, família e desafios pessoais, em especial com a saúde.

“Sou profissional da saúde, empreendedora, mãe e portadora de Esclerose Múltipla. Há cinco anos fundei o Clube Aquarela Kids, um espaço kids e park indoor referência em São José dos Campos, oferecendo um ambiente seguro, inclusivo e acolhedor para crianças e famílias. No ano de 2023, fundei a Fio Nativo meia calça brasileira. Além do meu trabalho como empresária, também ministro palestras voluntárias sobre empreendedorismo, inclusão, gestão de negócios e participação da mulher na política”, conta.

Sempre com um olhar atento às necessidades da sociedade, empreender foi para ela um caminho natural para gerar impacto e transformação. “Identifiquei a carência de espaços que unissem segurança, diversão e acolhimento infantil, principalmente para crianças com necessidades especiais, e transformei isso em um negócio que vai além do lucro: uma rede de apoio para mães e famílias em um conceito do brincar interativo e inclusivo.”

Como empreendedora, Juliana busca sempre melhorias na gestão de seus negócios. “Implementei melhorias no atendimento ao cliente, gestão colaborativa e participativa, e ampliação das práticas inclusivas para atender melhor crianças com autismo e outras necessidades especiais. Mantive como conceito de humanização preços justos respeitando o momento financeiro do nosso país e sendo acessível a todos. Aprendi a importância da inovação constante, da gestão eficiente e do encantamento do cliente. Esses conhecimentos me ajudaram a fortalecer meu negócio, mesmo diante das dificuldades do mercado.

Desafios 

Juliana traz a debate pautas importantes para as pessoas com doenças autoimunes e raras, que enfrentam inúmeros desafios no acesso a tratamento e qualidade de vida. Além dos desafios comuns ao empreendedorismo, como gestão financeira e construção de equipe, ela conta que enfrentou dificuldades extras por ser mulher jovem e por empreender em um setor que exige constante inovação. “A inflação e as altas taxas de locação em pontos comerciais também tornaram a manutenção do negócio desafiadora. Além disso, convivo diariamente com a Esclerose Múltipla, uma doença sem cura, mas que nunca me impediu de seguir em frente com coragem e determinação.”

Porém, nada seria possível sem apoio. “Participo de redes de apoio a mulheres empreendedoras e grupos voltados ao desenvolvimento empresarial. Essas conexões me trouxeram aprendizado, networking e força para superar obstáculos no mercado. Além disso, fiz capacitações sobre gestão empresarial, inovação no atendimento e estratégias financeiras promovidas pelo Sebrae. E fui indicada ao Prêmio Nacional Mulher de Negócios do Sebrae, um reconhecimento importante da minha trajetória. A maior conquista foi consolidar o Clube Aquarela Kids como um espaço referência, superando desafios financeiros e estruturais. Consegui isso por meio de uma gestão estratégica, escuta ativa dos clientes e muito trabalho”, relembra.

Metas 

“Quero expandir o Clube Aquarela Kids e seguir fortalecendo minha rede de apoio às famílias. Também quero continuar levantando bandeiras importantes para os empreendedores e para as pessoas com doenças autoimunes, trazendo mais visibilidade e soluções para esses desafios”, afirma.

E ela deixa uma mensagem: “Empreender é resistência, superação e propósito. Como mulher, mãe, esposa, empreendedora e portadora de uma doença sem cura, sei que os desafios são grandes, mas sei também que o desejo de transformar vidas, de contribuir para a geração de oportunidades de emprego, de inovar em uma gestão humanizada é ainda mais especial. Busquem apoio, estudem sobre gestão empresarial, busquem conhecimento e sigam firmes. O empreendedorismo humanizado e a gestão colaborativa não devem visar somente lucro, é sobre liberdade, unidade, transformação e fazer parte de forma ativa de uma cidade em constante evolução e crescimento”, conclui.

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