
O Sebrae-SP, juntamente com a Casa da Agricultura (CATI) e a Prefeitura de Itatiba representada pela Secretaria Municipal de Agricultura, iniciou o processo para obter a Indicação Geográfica (IG) do Caqui. Durante a segunda semana de outubro todas essas entidades, com participação também do Sindicato Rural do município e da Secretaria de Cultura e Turismo, se reuniram para a realização de um diagnóstico acerca da situação da produção da fruta em Itatiba para, futuramente, solicitar o selo de reconhecimento da IG.
O selo de Indicação Geográfica é uma propriedade industrial que reconhece produtos ou serviços vinculados a um território. Isso dá a eles reputação, valor próprio e uma identidade única que os diferencia de outros similares no mercado. São itens com uma qualidade especial, influenciada por fatores como o solo, o clima, a vegetação e o jeito tradicional de fazer. O selo também amplia a competitividade do produto, que passa a ter maior valor agregado e pode alcançar melhores condições de comercialização, inclusive em relação a preços.
O analista de negócios do Sebrae-SP, Alonso da Silva, afirma que a conquista da IG não representa o fim de uma jornada, mas sim o início de uma nova etapa de valorização e crescimento. “Na prática, essa conquista representa uma oportunidade de transformar a identidade e a história de um território em desenvolvimento econômico. Antes da obtenção do selo, existe todo um trabalho de organização dos produtores, fortalecimento da governança e qualificação técnica. Depois começam a surgir os impactos mais visíveis, como o fortalecimento do posicionamento no mercado, a valorização do produto, o estímulo ao turismo e a geração de oportunidades para toda a região. A IG cria um diferencial competitivo, reforça a reputação do produto junto aos consumidores e ajuda a preservar características culturais e produtivas que tornam aquele território único”, explica.
O caqui em Itatiba
A história da fruta no município é centenária, com a Prefeitura registrando os primeiros pés de caqui plantados em 1925.
Atualmente, estão registrados 73 produtores de caqui em Itatiba com, aproximadamente, 160 hectares de área cultivada (que representa 1 milhão e 600 mil metros quadrados). A safra de 2025/2026 obteve um crescimento de 20% em relação ao período anterior, com seis mil toneladas produzidas e R$ 12 milhões faturados, de acordo com dados da Secretaria de Agricultura de Itatiba.
Em âmbito nacional, o caqui de Itatiba está inserido em uma cadeia muito relevante: em 2025, o estado de São Paulo representou 46% do valor nacional da produção de caqui. Foram R$ 578,3 milhões nacionalmente e R$ 266,2 milhões no estado, sendo R$ 12 milhões apenas oriundos da produção itatibense.

“Itatiba já ocupa uma posição de destaque na produção de caqui e possui uma tradição construída ao longo de gerações. A Indicação Geográfica representa uma oportunidade de transformar esse patrimônio produtivo em um diferencial competitivo ainda mais forte”, comenta o especialista. “Além de valorizar a origem e a reputação do produto, o reconhecimento permite desenvolver novas estratégias de posicionamento, fortalecer a relação com os consumidores e explorar mercados que buscam cada vez mais autenticidade, rastreabilidade e qualidade. É uma ferramenta que contribui não apenas para os produtores, mas também para a valorização de todo o território”.
Festa do Caqui
A fruta é tão relevante para Itatiba que, em 2003, ganhou um evento só para ela: a Festa do Caqui.
A Festa é o maior evento turístico da cidade e tem como objetivo valorizar o agroturismo e a produção local. É realizada sempre em meados de abril e, além de divulgar a fruta com especial destaque para o agronegócio, proporciona também diversas outras atrações: passeios turísticos às propriedades rurais, espaço de convivência com a história do caqui, aulas de culinária que têm o caqui como matéria-prima principal, praça de alimentação, exposição de frutas premiadas e leilão, engajamento dos produtores rurais, artesanato e muito mais. Em 2026, em sua 21ª edição, a Festa do Caqui recebeu mais de 50 mil visitantes e comercializou 12 toneladas da fruta.
O secretário de Agricultura de Itatiba, Erik Carbonari, destaca o caqui como carro-chefe da fruticultura no município e que a IG vem para trazer inúmeros benefícios aos produtores rurais, consumidores e a própria história de Itatiba.
“Essa conquista também traz vantagens importantes para o produtor rural que, diante do cenário atual, busca colocar frutas de qualidade no mercado e potencializar a comercialização com preços mais condizentes e maior valor agregado. O reconhecimento do caqui de Itatiba fortalece a história do produto em um mercado promissor e valoriza o trabalho do produtor por meio de uma ferramenta que certifica a qualidade de toda a cadeia produtiva, além de também contribuir para a gestão da propriedade rural, agregando ainda mais valor ao trabalho desenvolvido no campo. Ficamos muito satisfeitos porque, além de potencializar todos esses aspectos, contamos muito com a contribuição do Sebrae, que vem realizando um excelente trabalho junto à Associação dos Produtores Rurais de Itatiba e do Sindicato Rural para essa construção. Todos têm a ganhar com essa iniciativa e, sem dúvida, haverá uma valorização significativa não apenas do nome do caqui de Itatiba, mas também da própria história do município. Os produtores poderão agregar valor ao produto e conquistar uma remuneração diferenciada por uma fruta reconhecida por sua origem, qualidade e tradição”, finaliza.
