ASN SP
Compartilhe

Mesmo com cenário difícil para as livrarias, Leitura mantém seus planos de expansão

À frente dos negócios da família, Marcus Teles falou sobre a rede que tem atualmente 73 lojas
Por Redação
ASN SP
Compartilhe

Os últimos anos não foram fáceis para as grandes livrarias; duas grandes e tradicionais redes, Cultura e Saraiva, por exemplo, pediram recuperação judicial no final de 2018. Juntas, elas detinham cerca de 40% do varejo de livros do País. Por sua vez, a Livraria Leitura segue seu plano de expansão. Fundada em 1967, em Belo Horizonte, pela família Teles, a empresa tem atualmente 73 lojas e planeja investir R$ 10 milhões e chegar ao fim deste ano com 79 unidades, tornando-se a maior rede do País. A abertura de filiais começou na década de 1980. A partir de 1990, o plano passou a ser uma nova unidade por ano. Em 2000, a rede rompeu as divisas de Minas Gerais, chegou ao Distrito Federal e hoje é líder do segmento nas Regiões Centro -Oeste, Nordeste e no interior de São Paulo. À frente dos negócios da família, Marcus Teles conversou com o Jornal de Negócios sobre o momento da Leitura.

Qual tem sido a estratégia da Livraria Leitura para se expandir atualmente?

O plano é abrir em cidades acima de 300 mil habitantes que não possuam uma grande livraria e aproveitar oportunidades deixadas pelo fechamento de outras livrarias.

A empresa tem investido em livrarias físicas, na contramão do mercado das grandes redes. A que se deve isso?

O Brasil é muito grande e tem muitas regiões carentes de boas livrarias. A Leitura opera com uma estrutura enxuta, capital próprio e evitando endividamento, o que sempre abre novas oportunidades. Também fechamos as lojas de baixo desempenho. Mesmo nos países desenvolvidos com o mercado consolidado, as livrarias físicas voltaram a crescer. A internet, apesar de continuar crescendo, trabalha com margens negativas. A Leitura voltou a operar no e-commerce no segundo semestre de 2019 buscando prestar informação e serviço, trabalhando diretamente com o estoque disponível nas lojas.

Como competir com outros “concorrentes” do livro, como a internet e os serviços de streaming?

Qualificando nossas lojas com layouts atrativos e confortáveis, grandes variedades de produtos,promoções atrativas, muitos eventos, transformando-se em um ponto de convivência social.

Os livros digitais são uma ameaça para os pontos de venda de livros?

Não. Em todo o mundo, o livro digital é uma opção de venda complementar, ele representa de 5% a 18% das vendas de livros. Em mercados maduros, o livro digital já se estabilizou, havendo até um recuo na sua participação. O livro digital tem vantagens como a praticidade de armazenamento, levar em viagem e compras em regiões remotas sem livrarias, mas o cliente continua preferindo a experiência de ler o livro impresso. No Brasil, os livros digitais alcançam cerca de 7% do mercado de literatura, mas ainda têm baixa relevância entre didáticos e infantis, ficando abaixo de 3% do mercado total.

Como uma pequena livraria poderia brigar com uma gigante como a Amazon?

Investindo na experiência do cliente, trabalhando o público local com frequência de eventos, atendimento personalizado e layout de loja agradável.

O que o senhor aconselha a quem está empreendendo no setor livreiro?

Inicialmente escolher bem o ponto. O ideal é que as despesas totais da locação não ultrapassem 10% do faturamento. Também é muito importante a escolha de um acervo de livros que dê identidade e seja adequado ao público da região. Sempre manter baixos os custos e evitar endividamento. E tentar sempre fazer da sua loja um ponto de encontro, investindo na experiência do cliente.