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As expectativas dos empreendedores para 2022

Empreendedores de diferentes áreas mostram otimismo – e pé no chão – com o ano que está começando
Por Gabriel Jareta
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Quem disse que as promessas de ano novo não precisam ser respeitadas? Depois de quase dois anos de restrições de atividades por causa da pandemia de covid-19 e de crise econômica, empreendedores mostram que as expectativas para 2022 estão, sim, altas. Apesar do clima de otimismo com o desenvolvimento de suas empresas e suas atividades, é preciso ter pé no chão e basear todos os passos em muito planejamento. Nestas páginas, quatro empreendedores de diferentes ramos e com atuações diversas contam como passaram pela maior crise sanitária dos últimos 100 anos e o que estão esperando do ano que se inicia.

 

Michelly Barros
Voos mais altos

“No começo, quando pensamos em loja física, fiquei com bastante medo. A gente tem muita experiência com online, mas fazíamos muitas feiras, bazares, vendendo peças de coleções antigas. A pandemia fez com que tivéssemos vontade de nos reinventarmos, e despertou a vontade de ter essa experiência com o ponto físico. Foi uma das melhores coisas que fizemos, os clientes passaram a nos visitar e a comprar com mais frequência. Fizemos um percurso ‘ao contrário’: começamos em um marketplace muito grande e montamos uma equipe muito bem preparada para a agilidade do online. A loja veio do encontro do momento com o ponto que achamos, no centro de Taubaté. A cada mês nosso faturamento aumenta, vemos que as pessoas querem sair para comprar presencialmente. A loja física veio como uma opção a mais para vender, temos nosso estoque e conseguimos reforçar nossa marca na cidade onde começamos.

Para 2022, nossa perspectiva é divulgar mais o nosso site próprio, já que boa parte do nosso lucro fica nos marketplaces. Demoramos para lançar um site porque queríamos fazer do zero, com nosso conhecimento adquirido ao longo do tempo. Graças à participação em uma rodada de negócios do Sebrae, hoje temos perspectivas de vender no exterior. Está tudo ainda instável, mas eu sou otimista, apesar de tudo. O segredo é buscar sempre algo de novo para fazer, sempre se renovar. Conseguimos manter todo nosso time durante a pandemia, mesmo 2021 sendo um ano mais difícil que 2020. Espero no ano que vem manter tudo isso ativo e conseguir exportar.”

 

Valdeci Borges da Silva
União produtiva

“A cooperativa começou quando teve uma chuva aqui e alagou tudo, no início de 2020. Reunimos um grupo para limpar a valeta para escoar a água e vimos que se a gente conseguisse montar uma cooperativa, o grupo todo poderia ter várias vantagens. A partir daí o Sebrae ajudou muito, organizou as turmas para passar as orientações e tivemos até aulas sobre combate a pragas. Hoje somos 16 produtores e plantamos alface, repolho, cebolinha e outros legumes. Nossos clientes são municípios como Bertioga e Rio Grande da Serra, e estamos tentando também fechar acordo com a prefeitura de Mogi das Cruzes. Também vendemos uma parte de produção orgânica para um resort na região, e queremos aumentar essa produção. 

O que nos segurou muito durante a pandemia foram as vendas para prefeituras, mesmo porque antes da cooperativa, a gente só plantava e não anotava nada, não sabia fazer planejamento, era um descontrole de tudo. Agora, o Sebrae tem ajudado muito com essa organização e nossa expectativa para 2022 é crescer e conseguir fornecer para outras prefeituras da região.”

 

Ana Carolina Itzaina
Hora da solidez 

“Nosso negócio é de importação e distribuição de produtos para lojistas e varejistas. Trabalhamos com puericultura leve, que são brinquedos e artigos de uso pessoal e para desenvolvimento de bebês. No começo, a empresa era meu ‘plano B’, eu trabalhava com marcas menores, mas nos últimos anos tomei a decisão de ser o ‘plano A’, com investimento de tempo muito maior. O mercado dos importados dessa categoria têm uma incidência de impostos muito alta, a gente não tem nenhuma isenção. Além disso, nosso público viaja, compra lá fora. E temos também o problema de quem importa para revenda sem selo do Inmetro, sem certificação e sem pagar imposto. 

Com a pandemia, o primeiro impacto foi restringir as viagens. O segundo foi a redução dos produtos não importados oficialmente. O resultado foi que tivemos um acréscimo nas vendas. No ano passado crescemos entre 55% e 60%, não podemos reclamar do nosso negócio.

Nós procuramos o Sebrae em janeiro de 2020 por uma questão de fluxo de caixa. A gente tinha ideia dos indicadores, mas a obtenção desses números é desafiadora. Com a pandemia, precisamos entender quais as ferramentas e que tipo de financiamentos seriam possíveis. Conseguimos um crédito com o Fampe e o impacto na área financeira foi o que mais precisávamos. Sou uma pessoa positiva, tenho buscado entender o cenário, mas hoje a incerteza é grande e estamos trabalhando para ter solidez para conseguir passar o ano. Já sentimos uma resistência muito grande à variação do dólar, custo logístico internacional, os fretes estão 20 vezes mais caros. Contamos com crescimento porque sabemos que ainda temos clientes para conquistar, ainda temos campos para cobrir. O ano de 2022 vai exigir um exercício bom de convivência em sociedade, mas creio que vou respirar mais aliviada só em 2023.” 

 

Renan de Matos Baradel
Novo mindset 

“Antes de abrir a empresa, há quase 11 anos, eu trabalhava como freelancer na área de desenvolvimento de sites. Com a demanda do mercado e a transformação digital que começou lá atrás, passei a ser dono de uma empresa. Em 2015, reestruturei a agência, resolvi algumas questões que estavam se arrastando e comecei a fazer planejamento. Passei a fazer também alguns cursos com o Sebrae, mas a virada de chave mesmo foi quando fiz o Empretec. Eu mudei a mentalidade e comecei a me ver como um empresário, e não só um desenvolvedor. Saí com aquele “gás” do curso, mas uma semana depois veio a pandemia. Mesmo assim, conseguimos ir bem no home office, forneci equipamentos e internet para os funcionários poderem trabalhar sem problemas.

A demanda pelo e-commerce foi muito grande na pandemia, mas ainda nos faltava uma preparação melhor. Por isso fiz cursos, participei de algumas mentorias com o Sebrae e também fizemos parte do programa Brasil Mais, do Sebrae-SP. De janeiro ao fim do ano passado nós mais que dobramos o faturamento sem dobrar os custos, fiz um investimento em pessoas e estou no processo de formalizar todas as contratações. Mas a mudança de mindset foi o mais importante: agir como um empresário e ter tomadas de decisão mais rápidas. Se eu quero ganhar escala, não importa o que está na frente, vou tentar resolver.

Com a volta ao presencial, arrumei o espaço da agência e contratei mais pessoas. Para 2022, quero dobrar o tamanho da agência e ter um departamento somente de e-commerce, oferecendo soluções que os clientes ainda não encontram no mercado. Também quero criar um departamento comercial, que nunca tive. Com crescimento também surgem outras dúvidas, como questões jurídicas, por isso estou de olho em cursos e treinamentos do Sebrae. Vejo 2022 com um otimismo muito grande.”