
Por iniciativa do Sebrae-SP, o Vale do Ribeira começou o processo de organização do setor produtivo e a articulação das instituições de apoio em busca da Indicação Geográfica do Mel da região. O primeiro passo foi o diagnóstico de potencialidade do mel. Realizado entre os dias 12 e 15 de outubro, o processo contou com apoio da Associação dos Apicultores do Vale do Ribeira (Apivale), Sindicato Rural de Juquiá, ATEG/Senar, Secretarias de Agricultura de Juquiá e Registro, Pronatu, Cati e Defesa Agropecuária.
Segundo a consultora da Unidade Territorial e Setorial do Sebrae-SP, Flávia Florêncio Ferreira, o diagnóstico apresentou resultado positivo para o reconhecimento na modalidade Indicação de Procedência. “O estudo evidenciou uma trajetória de quase quatro décadas de registros de produção, além de uma cadeia produtiva organizada, com governança estabelecida e já reconhecida pelo Governo do Estado como Cadeia Produtiva Local”, explica Flávia.
“A partir desse diagnóstico, temos um caminho técnico para avançar na estruturação da futura IG, especialmente no fortalecimento da governança, na comprovação da notoriedade do produto e na construção de regras coletivas de produção e controle. Mais do que conquistar um registro, buscamos valorizar a história e o trabalho dos apicultores, fortalecer a identidade do mel produzido na região e criar oportunidades de mercado, contribuindo para a competitividade dos pequenos negócios e o desenvolvimento sustentável do Vale do Ribeira”, destaca a consultora do Sebrae-SP.

Para o apicultor e meliponicultor de Sete Barras, Waine dos Santos, a expectativa para conquistar a IG é grande, sobretudo após o reconhecimento da CPL e a aprovação do projeto da Apivale para pleitear recursos do programa estadual SP Produz. “A oportunidade da Indicação Geográfica para o mel da Mata Atlântica é fundamental para a apicultura da região, transforma nossa biodiversidade e território em diferenciais competitivos e o mais importante, agrega valor aos nossos produtos, impedindo que o mel do Vale do Ribeira seja comercializado como um commodity comum. Somos a maior área contínua da Mata Atlântica preservada do país, com características florais únicas e que se traduzem na qualidade dos nossos produtos apícolas”, afirma Waine.
Ele também destaca a importância da união entre os apicultores. “A cooperação garantirá que os nossos produtos apícolas atinjam padrões de excelência, além de viabilizar a criação de mecanismos reguladores que nos permitirão combater o comércio do mel falsificado ou irregular, garantindo ao consumidor final um produto com procedência confiável”.
O diagnóstico
Para chegar ao diagnóstico de potencialidade do mel, o Sebrae-SP realizou uma série de ações que mobilizaram os produtores para reunir evidências técnicas que comprovam a relação dos produtos com as condições geográficas da região. No dia 12/10, lideranças, instituições e poder público se reuniram para fortalecer a governança local.
“A conquista de uma Indicação Geográfica exige organização, cooperação e o compromisso de todos os envolvidos na cadeia produtiva. Por isso, fortalecer a governança local é essencial para alinhar objetivos, ampliar a participação dos produtores e construir estratégias conjuntas para valorizar os produtos apícolas do Vale do Ribeira”, destaca o consultor de negócios do Sebrae-SP, Lucas Cárnio.

Ainda no dia 12, o Sebrae-SP iniciou o diagnóstico da cadeia produtiva da apicultura e da meliponicultura com a escuta dos produtores. Durante a reunião, eles puderam expor os desafios enfrentados pelo segmento na região e as expectativas com a possível conquista da IG.
A programação contou também com visitas técnicas à agroindústria Pronatu em Pariquera-Açu e a propriedades rurais para conhecer padrões laboratoriais, métodos de gestão, organização, controles zootécnicos, rastreabilidade, manejo de produção de mel, produção e beneficiamento de pólen e própolis apícola, floradas da Mata Atlântica e diferenciais de qualidade.
Na agroindústria da Apivale, localizada em Juquiá, os produtores conheceram o processo coletivo de beneficiamento, separação de lotes por produtor e adequação sanitária com a certificação estadual do SISP. A programação encerrou no dia 15/10 com o levantamento do histórico de ações técnicas, pesquisas e documentos que comprovam a produção apícola no Vale do Ribeira.
