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Tássia Morais, dona de um salão de beleza: cenários na ponta do lápis

Empreendedora fez uma provisão de fluxo de caixa até dezembro, considerando um cenário otimista (15 dias fechado), um realista (um mês fechado) e um pessimista (três meses fechado)
Por Ana Carolina Nunes
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Debruçar-se sobre o fluxo de caixa foi a primeira atitude da profissional de beleza Tássia Morais quando precisou fechar as portas do seu salão, o Toque Finnal, na zona sul de São Paulo, por causa da crise do novo coronavírus.

Com uma atividade que depende basicamente de contato próximo com as clientes, Tássia precisou de muita dedicação à gestão e muita criatividade para não entrar no vermelho. O salão, com seis anos de atividades, havia acabado de passar por uma reforma, que consumiu boa parte da reserva financeira do negócio e ainda deixou parcelas da compra de material de construção.

Assim que desmarcou as clientes agendadas, Tássia fez uma provisão de fluxo de caixa até dezembro, considerando um cenário otimista (15 dias fechado), um realista (um mês fechado) e um pessimista (três meses fechado). Assim, ela pôde ter uma visão real do tamanho do impacto da crise em seus negócios. “Nunca tinha feito um fluxo de caixa tão bom como fiz agora, faz muita diferença ter isso na ponta do lápis, até para saber se preciso de crédito e quanto preciso. Eu me sinto outra empreendedora”, diz.

Com essas informações em mãos, procurou três instituições para pesquisar linha de crédito e encontrou a melhor opção na Desenvolve SP, agência de fomento do governo paulista. Além disso, negociou o aluguel com o proprietário: 50% do valor de abril e isenção dos pagamentos de maio e junho. A partir de julho, o montante que não foi pago será diluído nos alugueis mensais até o fim do ano.

Tássia aproveitou também para fazer pesquisa com as clientes, tanto as mais próximas como aquelas com as quais já tinha perdido o contato. Foi a partir dessas conversas que ela criou “combos” com serviços para serem utilizados até o fim do ano que atendem às demandas das clientes e ainda envolvem as diferentes profissionais do salão: cabeleireira, manicure, depiladora e designer de sobrancelhas.

Os valores dos serviços não tiveram desconto, mas, para incentivar a compra, ela anunciou um sorteio entre as compradoras e também incluiu alguns serviços com pouca demanda, como um spa de unhas. “Estou usando a criatividade para sobreviver”, afirma.

Em paralelo, Tássia criou uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro para as quatro funcionárias comissionadas e afastou temporariamente uma funcionária contratada. Com as iniciativas, ela tem conseguido perto de 50% do faturamento médio do salão, mas que vão segurar as contas no azul, alinhadas ao crédito e à negociação do aluguel. “Eu não fico desesperada porque sei bem qual é a minha situação. Vou voltar diferente”, afirma.

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