No dia 19 de março, é celebrado o Dia do Carpinteiro e do Marceneiro, profissionais que transformam madeira em móveis, objetos e soluções personalizadas para casas, empresas e espaços públicos. Na região de Araçatuba, a atividade segue presente principalmente entre pequenos empreendedores formalizados como Microempreendedores Individuais (MEIs).
Araçatuba conta com 33 MEIs ativos na área de carpintaria, seguida por Birigui, com 11, Penápolis, com 8, e Andradina, com 7. Já na área de marcenaria, o número de profissionais é maior: Araçatuba lidera com 133 MEIs, seguida por Birigui, com 64, Penápolis com 19 e Andradina, com 11.

Entre esses profissionais está o marceneiro Thiago Castro, de 45 anos, que carrega uma história marcada por tradição familiar e paixão pela madeira. Ele começou na profissão muito cedo.
“Trabalho com marcenaria há pouco mais de 30 anos. Comecei aos 12 anos, durante as férias escolares, quando meu pai me orientou a fazer minha primeira mesa. Fiz todo o processo produtivo, do início ao fim. Aos 14 anos já estava trabalhando diretamente na marcenaria”, conta.
A escolha da profissão também tem raízes familiares. Segundo Thiago, o avô foi um dos responsáveis por despertar o interesse pela área.

“A influência da família foi muito grande. Meu avô, o senhor Osmar, conhecido como Seu Zico, começou na marcenaria em 1930 como lustrador de móveis. No começo, entrei muito por causa dessa tradição, mas com o tempo fui me apaixonando pela profissão. Ser marceneiro é muito mais amor pelo que se faz do que uma questão financeira”, afirma.
Hoje, Thiago se dedica à chamada marcenaria criativa, na produção de peças artesanais e personalizadas sob encomenda. O tempo de produção varia bastante dependendo da complexidade do projeto.
“Tenho peças que consigo fazer em um dia e outras que podem levar duas semanas. Muitas vezes o tempo de secagem das colas e dos vernizes é que determina o ritmo do trabalho”, explica.
Para Marcos Amancio, gerente regional do Sebrae-SP, a data é um momento importante para valorizar profissionais que mantêm viva uma atividade tradicional e que também contribui para o desenvolvimento econômico local.
“Carpinteiros e marceneiros têm um papel fundamental na economia, especialmente no universo dos pequenos negócios. Muitos atuam como microempreendedores individuais e oferecem serviços especializados que atendem demandas personalizadas, algo que, muitas vezes, a indústria não consegue entregar”, destaca.

Apesar da tradição, o setor passou por mudanças significativas nas últimas décadas. Segundo Thiago, a tecnologia transformou a forma de trabalhar com madeira.
“Hoje a marcenaria é muito diferente de 30 anos atrás. Novas ferramentas, novos materiais e até o comportamento do consumidor mudaram bastante. Quem não se adapta a essa nova realidade acaba ficando para trás”, avalia.
Outro desafio apontado pelo profissional é o custo e a regulamentação da madeira natural.
“Madeiras como ipê, jatobá e aroeira são mais difíceis de trabalhar, além de terem custo alto e exigirem fornecedores certificados. Hoje muitos trabalhos utilizam painéis processados como MDF e compensados”, explica.
Mesmo com as transformações do mercado, a marcenaria artesanal continua presente, principalmente em projetos personalizados.
“Em cidades menores a procura é menor por causa do custo, mas com a internet é possível alcançar clientes de outras regiões que valorizam peças exclusivas”, afirma.

Entre os trabalhos que marcaram sua trajetória, Thiago destaca um que tem um significado especial: a primeira peça que produziu na vida. “A mesa que fiz aos 12 anos foi restaurada por mim quando eu tinha 35. Foi emocionante rever aquela peça depois de tantos anos”, lembra.
De acordo com o gerente Marcos, histórias como essa mostram a importância de incentivar e apoiar quem empreende na área. Ele conta que o Sebrae-SP oferece orientações e capacitações para profissionais que desejam estruturar seus negócios.
“O Sebrae apoia esses empreendedores com orientação em gestão, planejamento e acesso a novos mercados. Nosso objetivo é ajudar esses profissionais a fortalecerem seus negócios, melhorar processos e ampliar suas oportunidades de renda”, ressalta.
Para quem deseja seguir carreira na área, Thiago deixa um conselho direto: “Entrem na marcenaria por vocação, porque não é uma profissão glamorosa. É preciso acompanhar as novas tecnologias, buscar qualidade e estar atento ao mercado. Mas, acima de tudo, é fundamental ser honesto consigo mesmo, com os colaboradores e com os clientes”, finaliza.
