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Empresa familiar inova no café gourmet

Marcelo Moscofian, CEO do Café Santa Monica, ajudou a modernizar empresa criada pelo pai
Por Gisele Tamamar
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Logo no início da pandemia de Covid-19, parte dos clientes do Café Santa Monica do mercado food service e corporativo estava com as portas fechadas. Eles representavam 50% do faturamento da empresa e até hoje não voltaram com força total. Depois de um 2020 de muito aprendizado e análise, a empresa hoje registra crescimento impulsionado, principalmente, pelas vendas no varejo e no e-commerce.

Quem está à frente das estratégias é o CEO Marcelo Moscofian, de 36 anos. Ele chegou à empresa em 2005, quando o pai, Arthur Moscofian Junior, o convidou para modernizar o negócio criado em 1985, um dos pioneiros do café gourmet no Brasil a partir dos grãos cultivados em uma fazenda no sul de Minas Gerais.

O economista tem cumprido sua missão. A empresa atua no food service, no varejo, exporta café e ampliou sua linha de produtos com os lançamentos do café em cápsula, microlote e do drip coffee, que se encaixa dentro de um conceito de “café de bolso” composto por um sachê para o café ser coado na hora. Na entrevista a seguir, Marcelo fala sobre os aprendizados, desafios e dá dicas para quem atua em uma empresa familiar.

Quais aprendizados você teve ao trabalhar com seu pai?

Trabalho com meu pai desde 2005. Hoje ele fica mais dando palpites e ideias. A gestão é toda profissionalizada e sempre foi muito bom trabalhar com ele. Ele é uma pessoa que deu liberdade para atuar, para errar, acertar, desenvolver, inovar. Ele tem um viés muito de inovação. De tentar errar, fazer a coisa diferente. Ele sempre me disse que quem faz diferente sai na frente, tem onde ganhar dinheiro, em um oceano azul. Esse sempre foi um dos lemas que ele me colocou na cabeça.

Você entrou na empresa para ajudar na modernização? Por quais inovações você foi responsável?

Não posso olhar a modernização só pela minha visão. Sempre trabalhamos a modernização em conjunto. Minha vinda foi para modernizar, para ter esse olhar de inovação, um olhar mais jovem, mas meu pai sempre foi muito aberto e trabalhou comigo desde a implantação de software, profissionalização, entrada em novos mercados, como o online, e tantos outros.

Como você avalia o mercado de café brasileiro? Ainda existe aquela ideia que o café bom brasileiro vai para exportação?

O mercado de café brasileiro é sempre bem visto lá fora, mas a gente não sabe se vender. Sempre se trabalhou com muita quantidade – o Brasil representa 35% da produção de café mundial, mas vendemos café barato, sem agregar valor. Essa máxima que o bom café brasileiro vai para fora, sim, aconteceu durante muto tempo. Mas, nos últimos anos, com o trabalho de pequenos torrefadores, como a gente, esse café está ficando no Brasil para o brasileiro tomar. Em contrapartida, os brasileiros também estão exigindo cafés de qualidade.

Qual a importância de a empresa cuidar de todo o processo do café, desde o plantio?

Realmente é muito importante cuidar de todo processo do plantio até a torra, principalmente quando você trabalha com um café especial, que passa por muitas fases do cultivo, manejo e torra. Quando todo o processo está na nossa mão, sabemos da procedência, fazemos a rastreabilidade e conseguimos controlar todos esses fatores para chegar a um café de qualidade. Por mais que tenham bons produtores, confiamos no nosso trabalho e sabemos que tendo tudo na nossa mão fica mais fácil.

Quais as apostas da empresa e quais as expectativas para o futuro?

As expectativas são positivas. Vamos continuar apostando no café especial, de qualidade. O brasileiro está tomando cafés melhores e não podemos mudar nosso foco. Vamos continuar verticalizando nossa produção e dar um passo além, quem sabe até para uma cafeteria. Nosso olhar para os próximos anos é continuar cada vez mais online, automatizando os processos e vendendo dentro do comércio online, que realmente tem um poder de escala muito grande. Vamos transferir essa automatização para o B2B. O consumidor tem potencial de entrar no site, no marketplace, e comprar no online rapidamente. Nossa expectativa é melhorar o serviço e que isso também funcione para o B2B, para conseguir automatizar e agilizar o processo nas plataformas.

Quais as dicas para os empreendedores que trabalham em uma empresa familiar?

Cada negócio tem sua peculiaridade. No meu caso, eu tive a sorte de ter espaço para trabalhar e desenvolver o negócio, mas sabemos que isso não é a realidade de todos. Muitas vezes, achamos que temos o potencial de fazer tudo sozinhos e queremos abraçar todas as áreas da empresa e controlar tudo. Esse olhar para quem quer crescer faz sentido até um ponto do negócio, mas o ideal é que você contrate pessoas boas e os melhores, se possível, para que você consiga desenvolver o que é realmente mais importante para a empresa crescer. Uma outra coisa importante: não ter medo de arriscar. Nós, empreendedores, vivemos no risco e pensamos diferente de qualquer outro perfil de pessoas que não empreendem ou não têm esse viés empreendedor. Uma coisa que eu demorei a entender também, em uma empresa familiar, é o quanto os processos são importantes. Em uma empresa familiar, que a gente acaba fazendo tudo sem processo definidos, existe muito retrabalho e perdemos muito o padrão. Olhar para processos desde o começo é importante. Por fim, uma dica é sempre valorizar as pessoas. Elas se sentem bem quando são acolhidas e pertencentes ao negócio, à família.