ASN SP
Compartilhe

Dona de casa encontrou na apicultura caminho para empreender

Vanilda Santos resolveu se especializar, fez faculdade e criou a Monte Benedicti com o marido Francisco
Por Redação
ASN SP
Compartilhe

“Eu era dona de casa, estava cansada da rotina e resolvi empreender. Encontrei um caminho na apicultura, me formei em engenharia agronômica e hoje tenho a empresa Monte Benedicti, em Taubaté, com meu marido, Francisco Santos, com a visão voltada para a agricultura familiar sustentável e certificação orgânica. Mas o caminho até aqui não foi fácil.

Minha família vem da agricultura familiar. Meu pai era pecuarista analfabeto e minha mãe estudou até a quarta série, mas foi uma empreendedora nata. Vi o exemplo dentro de casa: ela tricotava e também vendia tudo o que o sítio produzia, como banana, pó de café, mandioca, laranja; comprava e vendia bezerros, porcos, frangos e patos.

Ela sempre incentivou os filhos a empreender na agricultura e ensinava o valor da educação. Segundo ela, o conhecimento é o bem mais precioso que você pode adquirir e que ninguém vai conseguir tirar de você. E também falava para estudar primeiro e depois pensar em casar e ter filhos.

Só que não segui os conselhos. Eu me casei e me tornei mãe aos 17 anos. Minha função era cuidar da casa e de três filhos. Com o passar do tempo, a rotina começou me incomodar e falava ao meu marido que precisava trabalhar ou fazer alguma coisa. Juntos, começamos a estudar possibilidades e escolhemos a apicultura.

Capturamos a nossa primeira colônia de abelhas em 2004, fizemos ‘na raça’ e sentimos a necessidade do aprendizado. Buscamos uma série de cursos que nos deram uma visão inovadora sobre apicultura, inclusive iniciamos a produção de pólen. Mas infelizmente meu marido enfrentou um problema de saúde, ficou desempregado e resolvemos parar a atividade rural em 2013.

Fui buscar emprego e comecei a trabalhar de auxiliar de açougue em um supermercado. Cheguei a ser promovida para açougueira depois de um ano e meio. Nesse meio tempo, meu marido se recuperou, voltou a trabalhar e eu decidi investir na minha educação. Resolvi fazer faculdade, ganhei uma bolsa de estudos e cursei engenharia agronômica em Taubaté. Na empresa júnior, adquiri experiência no funcionamento de uma empresa que ao mesmo tempo é uma associação de alunos.

Com a situação normalizada, já em 2019, voltamos a investir na apicultura e colocar todos os aprendizados em prática. Fizemos um empréstimo e formamos uma cooperativa com o apoio do Sebrae. Todo esse aprendizado gerou experiência.

Passamos a trabalhar com outra visão e com o foco em crescimento de forma sustentável, com manejo orgânico, respeitando o meio ambiente, produzindo um mel com característica única que garante a biodiversidade da nossa Mata Atlântica. Não podemos esquecer da importância do trabalho das abelhas, que, por meio da polinização, contribuem com o equilíbrio dos ecossistemas, garantindo a preservação de espécies e a diversidade.

Na hora de criar a nossa marca, a ideia é que ela tivesse ligação com as nossas raízes. Homenageamos duas mulheres guerreiras. Sou filha da Benedita, que significa abençoada e em latim é Benedictus. Mas como já existem várias marcas com este nome eu adaptei para Benedicti e foi assim que nasceu a Monte Benedicti. No rótulo, foi desenhada a flor da Eugenia brasiliensis (grumixama), que é uma planta nativa da Mata Atlântica. Foi a forma que encontramos de valorizar a nossa fauna e homenagear a minha sogra, que se chama Maria Eugênia.

Toda a orientação do Sebrae nos deu uma visão que não temos apenas um vidro com mel. Temos que tomar cuidado com os pequenos detalhes que fazem a diferença no nosso produto. Hoje produzimos mel orgânico e mel cremoso com sabores, como chocolate, café e gengibre. Nossos planos são grandes e estamos nos preparando para vender nosso produto para outros países.”

:: Assista o vídeo da Monte Benedicti ::