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Engenheiro mudou de carreira depois de ver oportunidade em produtos de beleza masculinos

Fernando Sichieri, da Black Barts: ideia de montar o negócio surgiu da experiência como consumidor
Por Depoimento a Tatianne Kirejjian*
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“Trabalho desde os 15 anos, mas nunca deixei a CLT porque era minha segurança. Porém, sempre fui ambicioso e corri atrás de ter as minhas coisas.

Eu me formei em engenharia mecânica e logo comecei a atuar na área. Tive grandes oportunidades de trabalho, participava de projetos no exterior. Mas, por volta de 2017, não estava mais sendo interessante para mim; havia me casado, estava formando minha família e queria pôr os pés no chão. 

Outra questão dessa época, era em relação à aparência. Gosto de ter tatuagens e barba, mas na empresa em que trabalhava sentia que havia um certo estigma em relação a isso. Mesmo assim, resolvi deixar a barba crescer e procurei uma barbearia para apará-la.

Durante o atendimento, o barbeiro Bruno passou um óleo para finalizar os cuidados e confesso que não gostei. Bruno explicou que fazia parte do tratamento. Chegando em casa, recebi elogios da minha esposa, falando que a barba estava cheirosa, macia e perguntou o que eu tinha usado. Isso me deu um estalo, resolvi pesquisar sobre o produto e vi que não tinha nada parecido no Brasil, só importado.

Quando voltei à barbearia, Bruno me contou que fabricava em casa mesmo, óleos e balms (hidratante para a barba) com ingredientes naturais. Sugeri que virássemos sócios: eu entraria com o apoio financeiro e o Bruno com o conhecimento técnico para profissionalizarmos a produção. Assim surgiu a Black Barts.

De início, fabricamos 100 unidades de cada item, desenvolvemos um xampu para barba e uma essência própria. Fomos oferecer os produtos nas barbearias. Muitos profissionais quiseram comprar. Logo que criei a Black Barts, procurei o Sebrae-SP para aprender sobre plano de negócios, planilhas de controle, estudar a persona; fiz vários cursos.

Formalizamos a empresa, terceirizamos a produção para uma fábrica de cosméticos para que os produtos estivessem de acordo com as normas sanitárias, desenvolvemos novos itens, como pomadas para o cabelo e eu comecei a montar um estoque dos produtos em casa.


A empresa ganhou proporção e quando eu não estava viajando a trabalho, visitava as barbearias para vender. Não estávamos dando conta. Precisávamos de um espaço maior, dedicado só à Black Barts e, consequentemente, eu precisaria dedicar mais tempo para o negócio. Até esse momento, toda a receita da empresa era reinvestida nela mesma. Até que, em junho de 2019, pedi demissão do meu emprego para me dedicar integralmente a Black Barts e fazer com que ela gerasse lucro para poder me sustentar

Nossas barbearias parceiras têm condições especiais para comprar nossos produtos, que, além de serem usados nos atendimentos, podem ser revendidos para os clientes.

Tínhamos um e-commerce desde 2017, mas não vendia nada. Quem cuidava do site era uma agência de marketing. Em 2019, assumi essa responsabilidade, montei minha própria equipe e, aos poucos, as vendas começaram a acontecer.

Em julho de 2020, participei do programa Agente Local de Inovação (ALI), do Sebrae-SP, foi ótimo, o consultor me ajudou a identificar o gargalo que havia. Durante a pandemia, mergulhei de cabeça no negócio, me dediquei muito para manter as vendas; queria centralizar todas as funções e isso estava prejudicando meu desempenho, porque buscava o perfeccionismo. Com o consultor do ALI, fizemos um planejamento e as coisas foram melhorando.

Ele também me deu algumas dicas bem pontuais, principalmente de marketing que me proporcionaram uma nova ótica. Quando colocava em prática, davam certo e o e-commerce decolou.

Os próximos planos para a empresa são finalizar uma linha completa para os homens, da cabeça aos pés, e tornar a Black Barts a maior empresa da América Latina em cuidados masculinos.”

*Estagiária sob supervisão dos editores