Sebrae Acesse o Portal Sebrae
Você está na ASN

Agência Sebrae de Notícias

 Monica Oliveira, da Toque de Afrodite, teve de ajustar a comunicação com o público para não sofrer restrições
ASN SP 13/07/22 às 14:09 Atualização 09/08/22 às 14:05
Compartilhe

Marketing sem tabus

Por Patricia Gonzalez
ASN SP 13/07/22 às 14:09 Atualização 09/08/22 às 14:05
Compartilhe

Quem empreende no ramo de sex shops encara desafios que vão além dos enfrentados por negócios de outros segmentos. Empresas do mercado erótico lidam com restrições para divulgar seus produtos, que dependem muito do marketing digital, mas isso não tem impedido o crescimento do setor. Segundo os dados mais recentes da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (Abeme), houve aumento de 8% nas vendas em 2019 e de 12% em 2020, na comparação de cada ano com o anterior.

Para a empreendedora Monica Oliveira, dona do Toque de Afrodite, a palavra de ordem de seu negócio é discrição. “É um mercado comum como qualquer outro e existe muita demanda. Mas as pessoas têm muita vergonha e lidamos com alguns tabus”, explica.

A empreendedora começou seu negócio vendendo de porta em porta em 2016. Na época, ela e o marido estavam desempregados e resolveram aproveitar o Dia dos Namorados para fazer um dinheiro extra. O negócio decolou. “Comprei alguns produtos no atacado e comecei oferecendo para amigos e conhecidos. Vendi todo meu estoque em uma semana. Comprei mais produtos e continuei vendendo. Não parei mais.”

Em um primeiro momento, Monica decidiu manter a divulgação de sua empresa somente no boca a boca. Mas, com a chegada da pandemia, o cenário mudou e suas vendas zeraram. Naquele momento, decidiu investir em um e-commerce próprio e descobriu que precisaria estudar as estratégias de divulgação. “Cheguei a tentar vendas em marketplace, mas tive muitos transtornos. Muitos produtos eram retirados do ar, então banido. Para resolver essa questão, comecei a postar na página do Facebook somente o link dos produtos que quero mostrar. Já para o Instagram, ainda estou fazendo alguns testes e estudando estratégias. Tem algumas postagens e por enquanto está tudo certo”, diz.

A empreendedora também faz uso de grupos nas redes sociais com links diretos para seu e-commerce. Para garantir o sigilo dos compradores, garante que não guarda nenhum tipo de dado ou informação pela qual o cliente possa ser reconhecido. “Vi que muitas pessoas têm interesse em comprar, mas ficavam constrangidas. Nas vendas porta a porta, alguns compravam e falavam ‘o que você deve estar pensando de mim?’. Então, atrás da tela do computador, a pessoa não precisa perguntar como funciona, está tudo escrito. Ela vê tudo o que tem, escolhe o que quer e compra.”

Apesar das vantagens do mundo digital, Monica sonha em um dia abrir sua loja física. “A pessoa que entra em uma loja no sex shop está aberta àquele ambiente. O contato pessoal faz com que você consiga vender mais. Presencialmente você dá uma atenção diferente e consegue agir sobre o processo de compra. Na loja online isso é mais difícil”, observa.

NEGÓCIO SÉRIO

Com a chegada da pandemia, Marcia Maria decidiu colocar em prática o antigo sonho de ter o próprio negócio. Tomou coragem e optou pelo ramo de sex shop. Nascia em setembro de 2020 a Coquetel Sex Shop, 100% online. Criou perfis nas redes socias e também uma conta no WhatsApp Bussiness. No entanto, foi bloqueada em todas elas.

“Recebi mensagem dizendo que não autorizavam as minhas imagens. Eles avisaram que iriam bloquear nosso número. Foi um momento muito desafiador”, relembra. Para resolver a questão, a empreendedora lançou mão de uma estratégia diferente: substituiu as fotos de produtos por memes relacionados a seu negócio. Porém, o resultado que desejava não veio. “As pessoas passaram a não levar o meu negócio a sério e eu precisava vender.”

Ela decidiu procurar o Sebrae-SP para aprender como gerir as redes sociais de seu empreendimento. “Fiz cursos como o Faça Fácil, com foco específico para o setor de sex shop. Uma das melhores dicas que recebi foi entrar no Perfil da empresa (antigo Google Meu Negócio). As vendas melhoraram 100%, minhas páginas começaram a ser visitas.”

Marcia aproveitou sua localização, próxima a uma estação do metrô na zona leste da capital paulista, para combinar de fazer entregas naquele local. “O Sebrae abriu meus olhos para as estratégias do negócio. O que você acha que é bom, às vezes para o cliente não é. No início, eu tinha um site que não tinha visita nenhuma. Com o Google meu Negócio as visitas passaram a acontecer, foi tudo numa crescente.”

O próximo desafio da empresária é voltar a usar o WhatsApp Bussiness de maneira efetiva. “Fiz muitas adaptações de termos e imagens. Também penso em fazer minha lista de chá de lingerie no futuro. É preciso estudar bastante as formas de divulgação e colocar em prática. Só assim vamos para frente.”

O consultor do Sebrae-SP Alexandre Giraldi ressalta que a divulgação é um desafio para todos os segmentos – seja para vendas em canais físicos ou digitais. Mesmo assim, algumas questões envolvendo os empreendedores do mercado de produtos sensuais são mais delicadas. “Muito da reclamação do vendedor de produtos sensuais tem relação com o fato de alguns tipos de mensagens ou impulsionamento em redes sociais serem restritos. Mas é possível impulsionar praticamente qualquer coisa ou produto”, destaca.

COMUNICAÇÃO NO PONTO CERTO

Confira algumas orientações do consultor do Sebrae-SP Alexandre Giraldi sobre como divulgar seus produtos:

Concentre seu primeiro esforço em divulgar para quem já quer comprar o produto ou serviço e não tentar convencer quem ainda nem pensou naquele tipo de item.

Construa um perfil envolvente na rede social que seu cliente mais utiliza, faça postagens criativas, faça stories com frequência, faça lives em parceria, lives solo, postagens colaborativas e foque muito em conteúdos únicos e extremamente envolventes.

Outra ferramenta importante é a presença no Google Meu Negócio, principalmente para negócios locais. Essa ferramenta auxilia o comprador a descobrir que sua empresa existe e está perto dele para suprir suas necessidades. Neste caso o canal de vendas mais usado é o de loja com ou sem porta aberta para rua.

Para saber mais sobre cursos e orientações, entre em contato pelo telefone 0800 570 0800

Compartilhe
Ficou com alguma dúvida ou tem sugestões? Entre em contato pelo [email protected] ou fale com a ASN em cada UF

Notícias relacionadas